terça-feira, 1 de julho de 2014

Universalização do Ensino Médio: muitos desafios



 Universalização do Ensino Médio: muitos desafio
 * Lisane Simone Butka
EEEMCS
UFFS – campus Erechim


            Educar uma geração digital em escolas analógicas, com professores analógicos traduz-se num dos desafios cruciais rumo à universalização do EM. As mudanças sucedem-se a uma velocidade cada vez maior, distanciando gerações quanto a processos cognitivos de aprendizagem. Esse fato leva a escola a não ser vista como referência, norte, para a busca do conhecimento, pois pode-se usar as ferramentas digitais como autodidata. No entanto, não se pode deixar de observar que informação sem mediação, ou com parca ou errônea mediação pode, não raro, não culminar em cognição.
Precisa-se passar para o processo de ensinagem – processo do ensino do qual decorre a aprendizagem que ocorre mediante a mediação do professor entre aluno e conteúdo, em que o papel do professor é produzir e dirigir as atividades para a mobilização do aluno a construção e elaboração de seu conhecimento, em que o estudante é autor, numa interação que desenvolve e objetiva a autonomia.
A família precisa dar apoio à escola, valorizá-la, dando suporte para que os filhos tenham na escola a premissa de ponto de referência para afastar-se do assujeitamento que acomete um número crescente de alunos. A desestruturação das famílias pesa negativamente na vida do aluno, que não tem a constância da presença da família no acompanhamento de sua vida escolar.
            A evasão traduz-se num desafio com grau de dificuldade “hard”, em que pese o trabalho precoce devido à responsabilidade e cobrança cada vez mais prematura dos filhos no auxílio à manutenção da família, assim como o desinteresse e desencantamento que a escola causa, o que se poderia justificar pela choque entre o que a escola oferece, quase arcaísmo, na visão do aluno, e o que ele busca, ou a falta de um “quê buscar”.
            Existe a necessidade de dar uma identidade própria, clara, bem definida ao ensino médio, já que sempre esteve associado à porta de acesso à universidade e ao mercado de trabalho. Uma identidade em que se constitua como oportunidade de apropriação de conhecimento no sentido de possibilidade de autoafirmação como sujeito crítico, consciente, que conhecedor da realidade que o cerca torna-se capaz de ser agente de transformação, de visão humana e coletiva, pois, como diz Sposito(1993) “as condições de vida recusam, ao mesmo tempo que impõem a necessidade de saber, do acesso à educação, a possibilidade do projeto que pretende um outro futuro, uma outra forma de viver a vida”.
Outro desafio reside nos conteúdos que são ensinados, muito embora esteja havendo a oportunidade de elaboração de novos planos de estudo, com possibilidade de reformulações que primem pela observação de um contexto moderno e distinto. Fato que se pode justificar pela linha tradicional que domina o método didático-pedagógico de trabalho de professores e escolas.
Repetência tem se mostrado uma forma de poda na progressão da aprendizagem do estudante, servindo como uma seleção que rotula e estereotipa, castrando a oportunidade de uma progressão que vislumbre o crescimento, a evolução além da mera avaliação conteudista e restritiva, que não observa a totalidade do desenvolvimento intelectual. A repetência é, justamente, o fruto dessa  avaliação castradora. Por isso é que se constitui como tema central nas discussões presentes acerca das reformulações necessárias à reestruturação do ensino em geral, especialmente o médio politécnico, visando a uma transformação em que seja caminho para auscultar a aprendizagem no sentido de validar e encontrar os próximos passos no caminho do saber, especialmente, saber ser. Explicam-se, a existência desses fênomenos, repetência e avaliação castradora, como formas históricas de selecionar e segregar, numa cultura que privilegia por classe social e aparência.
Pode-se observar que os desafios arrolados ao longo do texto, tratam-se de verdadeiras provas de fogo que põe à prova os gestores públicos responsáveis pela educação num país que precisa aprender o valor que o ser humano tem por conta de sua bagagem cultural, de suas idiossincrasias, e não por um intelecto preenchido com um rol de conhecimentos pré-estabelecidos por uma minoria que desconhece o contexto que impregna a vida de cada estudante brasileiro.

Referências
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Secretaria da Educação Básica. Formação de professores do ensino médio, etapa I - caderno I: Ensino Médio e formação humana integral. 2013.

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Profª Esp. Lisane S. Butka

PLACAS? NÃO!!! ISSO SÃO "PRACAS" (leiam e desaprendam)

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