quinta-feira, 31 de julho de 2014

Verti lágrimas ao ler!

Garoto de 6 anos arrecada mais de 600 livros

para crianças de rua terem futuro melhor

 
Leia a linda reportagem no link abaixo: 

 

Unindo a reflexão ao uso da língua: o post apresenta linguagem mista, ou seja,
 linguagem verbal (uso de palavras) e linguagem não verbal (uso de imagem).

QUAL A FORÇA MOTRIZ MAIS PODEROSA QUE PODE MOVER VOCÊ?


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ler é fazer amor com as palavras! 
Rubem Alves


A FLOR E A PIPA
  Rubem Alves


Era uma vez uma pipa.
O menino que a fez estava alegre e imaginou que a pipa também estaria. Por isso fez nela uma cara risonha, colando tiras de papel de seda vermelho: dois olhos, um nariz, uma boca…
Ô pipa boa: levinha, travessa, subia alto…
Gostava de brincar com o perigo, vivia zombando dos fios e dos galhos das árvores.
- “Vocês não me pegam, vocês não me pegam…”
E enquanto ria sacudia o rabo em desafio.
Chegou até a rasgar o papel, num galho que foi mais rápido, mas o menino consertou, colando um remendo da mesma cor.
Mas aconteceu que num dia, ela estava começando a subir, correndo de um lado para o outro no vento, olhou para baixo e viu, lá num quintal, uma flor. Ela já havia visto muitas flores. Só que desta vez os seus olhos e os olhos da flor se encontraram, e ela sentiu uma coisa estranha. Não, não era a beleza da flor. Já vira outras, mais belas. Eram os olhos…
Quem não entende pensa que todos os olhos são parecidos, só diferentes na cor. Mas não é assim. Há olhos que agradam, acariciam a gente como se fossem mãos. Outros dão medo, ameaçam, acusam, quando a gente se percebe encarados por eles, dá um arrepio ruim elo corpo. Tem também os olhos que colam, hipnotizam, enfeitiçam…
Ah! Você não sabe o que é enfeitiçar?!
Enfeitiçar é virar a gente pelo avesso: as coisas boas ficam escondidas, não têm permissão para aparecer; e as coisas ruins começam a sair. Todo mundo é uma mistura de coisas boas e ruins; às vezes a gente está sorrindo, às vezes a gente está de cara feia. Mas o enfeitiçado fica sendo uma coisa só…
Pois é, o enfeitiçado não pode mais fazer o que ele quer, fica esquecido de quem ele era…
A pipa ficou enfeitiçada. Não mais queria ser pipa. Só queria ser uma coisa: fazer o que a florzinha quisesse. Ah! Ela era tão maravilhosa! Que felicidade se pudesse ficar de mãos dadas com ela, pelo resto dos seus dias…
E assim, resolver mudar de dono. Aproveitando-se de um vento forte, deu um puxão repentino na linha, ela arrebentou e a pipa foi cair, devagarzinho, ao lado da flor.
E deu a sua linha para ela segurar. Ela segurou forte.
Agora, sua linha nas mãos da flor, a pipa pensou que voar seria muito mais gostoso. Lá de cima conversaria com ela, e ao voltar lhe contaria estórias para que ela dormisse. E ela pediu:
- “Florzinha, me solta…” E a florzinha soltou.
A pipa subiu bem alto e seu coração bateu feliz. Quando se está lá no alto é bom saber que há alguém esperando, lá embaixo.
Mas a flor, aqui de baixo, percebeu que estava ficando triste. Não, não é que estivesse triste. Estava ficando com raiva. Que injustiça que a pipa pudesse voar tão alto, e ela tivesse de ficar plantada no não. E teve inveja da pipa.
Tinha raiva ao ver a felicidade da pipa, longe dela… Tinha raiva quando via as pipas lá em cima, tagarelando entre si. E ela flor, sozinha, deixada de fora.
- “Se a pipa me amasse de verdade não poderia estar feliz lá em cima, longe de mim. Ficaria o tempo todo aqui comigo…”
E a inveja juntou-se o ciúme.
Inveja é ficar infeliz vendo as coisas bonitas e boas que os outros têm, e nós não. Ciúme é a dor que dá quando a gente imagina a felicidade do outro, sem que a gente esteja com ele.
E a flor começou a ficar malvada. Ficava emburrada quando a pipa chegava. Exigia explicações de tudo. E a pipa começou a ter medo de ficar feliz, pois sabia que isto faria a flor sofrer.
E a flor aos poucos foi encurtando a linha. A pipa não podia mais voar.
Via ali do baixinho, de sobre o quintal (esta essa toda a distância que a flor lhe permitia voar) as pipas lá em cima… E sua boca foi ficando triste. E percebeu que já não gostava tanto da flor, como no início…
Essa história não terminou. Está acontecendo bem agora, em algum lugar… E há três jeitos de escrever o seu fim. Você é que vai escolher.
Primeiro: A pipa ficou tão triste que resolveu nunca mais voar.
- “Não vou te incomodar com os meus risos, Flor, mas também não vou te dar a alegria do meu sorriso”.
E assim ficou amarrada junto à flor, mas mais longe dela do que nunca, porque o seu coração estava em sonhos de vôos e nos risos de outros tempos.
Segundo: A flor, na verdade, era uma borboleta que uma bruxa má havia enfeitiçado e condenado a ficar fincada no chão. O feitiço só se quebraria no dia em que ela fosse capaz de dizer não à sua inveja e ao seu ciúme, e se sentisse feliz com a felicidade dos outros. E aconteceu que um dia, vendo a pipa voar, ela se esqueceu de si mesma por um instante e ficou feliz ao ver a felicidade da pipa. Quando isso aconteceu, o feitiço se quebrou, e ela voou, agora como borboleta, para o alto, e os dois, pipa e borboleta, puderam brincar juntos...
Terceiro: a pipa percebeu que havia mais alegria na liberdade de antigamente que nos abraços da flor. Porque aqueles eram abraços que amarravam. E assim, num dia de grande ventania, e se valendo de uma distração da flor, arrebentou a linha, e foi em busca de uma outra mão que ficasse feliz vendo-a voar nas alturas.

Minha opção seria pelo terceiro final pois acho que há muita gente vitimada pelos feitiços que a vida lhes imputa, ainda que haja o livre arbítrio.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Disponibilizo aqui o vídeo com o documentário produzido por alunos do 3º ano de 2013 sobre os POÇOS ARTESIANOS DE FLORIANO PEIXOTO. Um trabalho muito bem elaborado, pelo que parabenizo os alunos Mauricio Karpinski, Eloize Babicz, Roseane Tefili, Cleiton de Oliveria e Adriel Vitali.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Triste notícia é o "apagamento" de Ariano Suassuna! Não, ele não morreu!! Um homem que deu vida às palavras não morre jamais, só vai escrever poemas nos livros do infinito.

Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.
(Em: O Auto da Compadecida)
Ariano Suassuna


Foto na Jornada Nacional da Literatura, oportunidade em que puxou sua cadeira para perto de nós, público presente, e humildemente, bonita pessoa que era/é/será, e partilhou conosco histórias que fazem dele um homem cuja lacuna aberta na Literatura/cultura brasileira não será preenchida jamais!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso e trabalhar em conjunto é a vitória
 
E já que uma imagem diz mais do que mil palavras...

terça-feira, 1 de julho de 2014

Universalização do Ensino Médio: muitos desafios



 Universalização do Ensino Médio: muitos desafio
 * Lisane Simone Butka
EEEMCS
UFFS – campus Erechim


            Educar uma geração digital em escolas analógicas, com professores analógicos traduz-se num dos desafios cruciais rumo à universalização do EM. As mudanças sucedem-se a uma velocidade cada vez maior, distanciando gerações quanto a processos cognitivos de aprendizagem. Esse fato leva a escola a não ser vista como referência, norte, para a busca do conhecimento, pois pode-se usar as ferramentas digitais como autodidata. No entanto, não se pode deixar de observar que informação sem mediação, ou com parca ou errônea mediação pode, não raro, não culminar em cognição.
Precisa-se passar para o processo de ensinagem – processo do ensino do qual decorre a aprendizagem que ocorre mediante a mediação do professor entre aluno e conteúdo, em que o papel do professor é produzir e dirigir as atividades para a mobilização do aluno a construção e elaboração de seu conhecimento, em que o estudante é autor, numa interação que desenvolve e objetiva a autonomia.
A família precisa dar apoio à escola, valorizá-la, dando suporte para que os filhos tenham na escola a premissa de ponto de referência para afastar-se do assujeitamento que acomete um número crescente de alunos. A desestruturação das famílias pesa negativamente na vida do aluno, que não tem a constância da presença da família no acompanhamento de sua vida escolar.
            A evasão traduz-se num desafio com grau de dificuldade “hard”, em que pese o trabalho precoce devido à responsabilidade e cobrança cada vez mais prematura dos filhos no auxílio à manutenção da família, assim como o desinteresse e desencantamento que a escola causa, o que se poderia justificar pela choque entre o que a escola oferece, quase arcaísmo, na visão do aluno, e o que ele busca, ou a falta de um “quê buscar”.
            Existe a necessidade de dar uma identidade própria, clara, bem definida ao ensino médio, já que sempre esteve associado à porta de acesso à universidade e ao mercado de trabalho. Uma identidade em que se constitua como oportunidade de apropriação de conhecimento no sentido de possibilidade de autoafirmação como sujeito crítico, consciente, que conhecedor da realidade que o cerca torna-se capaz de ser agente de transformação, de visão humana e coletiva, pois, como diz Sposito(1993) “as condições de vida recusam, ao mesmo tempo que impõem a necessidade de saber, do acesso à educação, a possibilidade do projeto que pretende um outro futuro, uma outra forma de viver a vida”.
Outro desafio reside nos conteúdos que são ensinados, muito embora esteja havendo a oportunidade de elaboração de novos planos de estudo, com possibilidade de reformulações que primem pela observação de um contexto moderno e distinto. Fato que se pode justificar pela linha tradicional que domina o método didático-pedagógico de trabalho de professores e escolas.
Repetência tem se mostrado uma forma de poda na progressão da aprendizagem do estudante, servindo como uma seleção que rotula e estereotipa, castrando a oportunidade de uma progressão que vislumbre o crescimento, a evolução além da mera avaliação conteudista e restritiva, que não observa a totalidade do desenvolvimento intelectual. A repetência é, justamente, o fruto dessa  avaliação castradora. Por isso é que se constitui como tema central nas discussões presentes acerca das reformulações necessárias à reestruturação do ensino em geral, especialmente o médio politécnico, visando a uma transformação em que seja caminho para auscultar a aprendizagem no sentido de validar e encontrar os próximos passos no caminho do saber, especialmente, saber ser. Explicam-se, a existência desses fênomenos, repetência e avaliação castradora, como formas históricas de selecionar e segregar, numa cultura que privilegia por classe social e aparência.
Pode-se observar que os desafios arrolados ao longo do texto, tratam-se de verdadeiras provas de fogo que põe à prova os gestores públicos responsáveis pela educação num país que precisa aprender o valor que o ser humano tem por conta de sua bagagem cultural, de suas idiossincrasias, e não por um intelecto preenchido com um rol de conhecimentos pré-estabelecidos por uma minoria que desconhece o contexto que impregna a vida de cada estudante brasileiro.

Referências
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Secretaria da Educação Básica. Formação de professores do ensino médio, etapa I - caderno I: Ensino Médio e formação humana integral. 2013.

PLACAS? NÃO!!! ISSO SÃO "PRACAS" (leiam e desaprendam)

Placas
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