sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Língua portuguesa própria x Língua portuguesa "de Portugal"

Chamou muito minha atenção o texto da questão 122 do ENEM deste ano de 2012, que se trata da entrevista, transcrita abaixo, do autor Marcos Bagno, que aborda um tema que polemiza o uso da Língua Portuguesa no Brasil.
Realmente, indiguina e revolta uma Reforma Ortográfica que faz alterações totalmente desnecessárias e segue surda, e cega à linguagem que a população usa diariamente no país inteiro, como é o caso da colocação pronominal.

Entrevista de Marcos Bagno

Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar do verbo “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”.
No entanto, temos registros escritos da época medieval em que aparece centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses usos de nossos ex colonizadores. Não faz sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso para só aceitar o que vem de fora.
Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de português que em toda a Europa!
Informativo Parábola Editorial , s/d.

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Profª Esp. Lisane S. Butka

PLACAS? NÃO!!! ISSO SÃO "PRACAS" (leiam e desaprendam)

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